Algumas Reflexões sobre Game of Thrones

Há uma semana era lançado um dos eventos midiáticos mais poderosos dessa época, o final da super produção da HBO, Game of Thrones”, algo que só poderia ser comparado ao final de outra série nove anos antes em “Lost”e 12 anos atrás com “Família Soprano”. Mas o que essas três séries tem em comum, além de serem as “séries evento”?

As três tiveram finais que dividiram as opiniões por anos e ainda dividem, “Lost” então nem se fala, e o criador de “Sopranos”, David Chase já se cansou de explicar qual era a sua visão para a série e o final desejado. Mas Chase sempre foi fiel ao que pensava sobre sua criação e deu o final que lhe cabia, não o que terceiros imaginavam e queriam, e sim mantendo sua mão de criador e roteirista até a última temporada.

Mas a verdadeira polêmica foi como uma série altamente festejada pelo público e crítica como “Game of Thrones”, conseguiu descambar para o lado mais trágico possível. Entenda que a palavra “trágico” pode evidenciar um “final épico para uma série épica”, mas em nenhum momento foi vendido a quem assistia, tal desfecho memorável. É bom lembrar que ao início da série somos apresentado aos cavaleiros da Patrulha da Noite sendo mortos e desmembrados por mortos-vivos de gelo, o que já levaria em nosso inconsciente que naquele espaço não haveria fórmulas já estabelecidas por outras histórias de fantasia medieval.

O que era nos apresentados a partir daí seria uma total surpresa, assim como quem estavam predestinados em nossas cabeças serem a família principal e o patriarca ser o herói central da história, acabar vindo por terra já no fim da primeira temporada. Mas o problema é que nas últimas duas temporadas fomos jogados para o que pensávamos no primeiro episódio. A família Stark foi destruída e desmembrada por cinco temporadas, para que magicamente por intenção dos roteiristas ela retornasse para o centro do poder e por assim construir o seu próprio reino. A incoerência no que foi despejado em tela foi altamente desleal e até mesmo imoral para quem apostou nos oito anos da série.

Mas não para por ai, a máquina “Game of Thrones” tramou algumas armadilhas para o público. Quem vinha sendo construída de uma forma salvadora foi Daenerys Targaryen (Emilia Clarke, de “Han Solo: Uma História Star Wars”) por mais que suas conquistas sejam transvestidas de atos heroicos, ela derramou muito sangue para aquilo. Afinal quem nunca perdeu tudo, traiu e aprisionou pessoas para ser rainha? Sem contar ainda que ela possui as características de um psicopata nato, vamos a elas: Encanto Superficial, Ausência de remorso e consciência moral, Comportamentos Impulsivos, Incorrigibilidade. E ainda conseguiu nos transformar em pessoas que aceitamos a crucificação de 160 pessoas e se passar por normal. A maldade dela pode ter sido sombria e quase superficial, mas ela ainda existe e foi mostrado – apressado diga-se por sinal – e há de se respeitar isso. É preciso aceitar a obra como ela é, e o que foi, não o que queríamos.

“Quando se joga o jogo dos tronos, você vence ou você morre” foi dito pela então Rainha Cersei Lannister (Lena Headey, de “Dredd”) ao Mão do Rei, Ned Stark (Sean Bean, de “Perdido em Marte”). Tal frase definiu a série de todas as formas, principalmente para a personagem que cunhou a citação. Cersei Lannister certa vez em uma das últimas temporadas, mostrou do que era capaz pelo poder ao explodir quase todos seus inimigos. E tal busca pelo poder foi o responsável pelo seu desfecho ao lado do homem que amava, mas soterrada pelo castelo, o símbolo máximo do poder pelo o qual buscava.

O que foi inserido pelo escritor dos livros George R.R. Martin e transposto em tela pelos produtores David Benioff D.B Weiss foi algo memorável para a história das séries de TV. Mesmo que em parte fomos enganados, seja de bom grado e aceitado, e por outro lado de forma ridícula e insatisfatória, não há de se negar que fomos marcados para sempre.

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