Análise completa de Reconstrução, álbum visual de Tiago Iorc

Depois de sumir da mídia por um ano, Tiago Iorc voltou na noite do último sábado (04/04), disponibilizando e surpreendendo com o seu novo álbum de trabalho “Reconstrução”. Cada faixa do álbum trás consigo, também, um vídeoclipe. Então, além de nos presentear com 13 novas músicas, Tiago nos forneceu um artístico álbum visual.

De forma pessoal, eu estava bastante ansiosa pelo seu retorno. E, sem querer parecer estraga prazeres senhor Iorc, mas eu já esperava que esse retorno não fosse demorar muito. Assim que surgiram as primeiras notícias do aniversário de um ano do “sumiço” do cantor, eu já entrei em modo de alerta. E, agora, depois de passar a madrugada assistindo em looping o verdadeiro filme que é “Reconstrução”, gostaria de explanar a minha análise de cada um nos “capítulos” da intensa história de amor que nos é apresentada. 

  1. Desconstrução

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Começando pela abordagem do clipe, Desconstrução tem como objetivo nos apresentar nossa personagem principal, que apesar de não receber um nome, nos transmite tão bem o que está acontecendo.

A apresentação, no entanto, não é necessariamente para nós, que estamos assistindo. A própria personagem está se “reconhecendo”, estudando seus detalhes, se vendo da sua forma mais pura e sincera. É como se avisasse o que está por vir, e se você prestar bem atenção, apesar da história estar sendo contada por “Tiago”, ela é a nossa protagonista.  A história é mais sobre ela, do que sobre o relacionamento. No básico, o clipe de Desconstrução nos prepara pro que está por vir.

Enquanto que a música trás reflexões sobre nosso comportamento social na internet, nos alerta sobre doenças psicológicas e sobre o quanto é importante a gente se conhecer, nossa protagonista parece estar imersa e, ao menos aparentemente, pronta para mais um capítulo.

2. Hoje Lembrei Do Teu Amor

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Hoje Lembrei Do Teu Amor é um “capítulos” que, sinceramente, me deixou mais confusa. Isso porque, de primeira, parece apenas um casal se conhecendo, tendo seu primeiro encontro e sua primeira relação sexual. O vídeo, porém, trabalha com aspectos que nos confunde se está se tratando de uma lembrança ou se a história está realmente progredindo, indo para a frente.

Cheguei a conclusão de que, o final do clipe é, na verdade, o começo. E que ele só está sendo “rodado” de forma contrária, para garantir que a história de ainda ambos vai acontecer, e que tudo está meio “confuso” por se tratar, realmente, de uma memória. Ou seja, as fotos já estão dispostas no começo do clipe porque quem está lembrando já sabe como ela vai terminar.

3. Deitada Nessa Cama

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O terceiro capítulo da história, intitulado Deitada Nessa Cama, nos dá a sensação de que a história do casal está se solidificando, que eles estão apaixonados e que tudo está acontecendo de forma mansa e indo tudo bem.

Até que, no final do vídeo, nossa personagem principal aparece sozinha na cama, com os olhos cansados e claramente em sofrimento. Em todos os capítulos a gente recebe um pequeno spoiler de como aquilo vai terminar. Assistindo pela primeira vez, foi justamente nessa parte que eu parei, ajeitei a postura e pensei:

“Ok, Tiago, me mostra o que tu tava aprontando, vai.”

4. Fuzuê

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Fuzuê foi uma das faixas que mais me impressionaram, ela tem tanta personalidade brasileira que me deixou meio distraída. A minha interpretação imediata da “pegação” que acontece nesse capítulo foi de que se tratava de um sonho erótico, ou uma idealização do que nossa personagem gostaria de estar fazendo.

Achei que estava sendo óbvia demais ao pensar isso, mas ao abrir os comentários do vídeo, percebi que algumas pessoas também entenderam dessa forma. Iorc atuou, também, como diretor do projeto, então acredito que ele tenha conseguido transmitir exatamente a ideia que teve para Fuzuê.

5. Faz

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Faz nos apresenta uma pegação intensa que acontece no banheiro da mesma casa que serve como cenário para o relacionamento durante toda a história. Esse vídeo foi um dos que achei mais bonito encaixado no conceito do projeto.

Nesse momento eu basicamente esqueci que a história dos dois estava fadada ao término. A química e a intensidade transmitida nos faz ter quase a sensação que se tem, realmente, em um relacionamento.

6. Tangerina

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O clipe de Tangerina foi facilmente definido nos próprios comentários do vídeo. “É como se fosse um sexo oral poético.” E, de forma bem simplista, é o que eu consegui captar ao assistir também. A estética de Tangerina lembra muito à estética de trabalhos visuais franceses, captando sem “filtro” para detalhes mínimos.

É simplesmente simples e lindo! Em relação à história do casal, é fácil deduzir que o álbum está trabalhando fases de um relacionamento, e com tangerina senti a transição da parte da paixão para algo que está se tornando mais profundo e sólido.

7. Laços

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Nada como a calmaria não é mesmo? O clipe de Laços trás nossa personagem, mais uma vez, para a frente do espelho. Agora, entretanto, ela consegue se encarar por mais tempo, e se eu ousar dizer, se vê com mais carinho e delicadeza.

No segundo cenário vemos ela em um ambiente que transmite exclusivamente paz. A manifestação da sua paz interior com ela mesma é evidente, ela está crescendo e trabalhando melhor sua relação consigo mesma. E é por isso que volto a enfatizar que a história é sobre o crescimento dessa personagem, e não do romance que está acontecendo. Tiago está como narrador de uma história que não é a dele, e sim a dela. Ela está se encontrando!

8. Nessa Paz Eu Vou

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Nessa Paz Eu Vou nos confirma o que já sabíamos, era amor e não apenas paixão! E se lembra desse cenário aí? Não parece muito com o cenário de Laços? Eu suponho que se parece porque, de fato, é o mesmo cenário!

É assim que funciona quando amamos alguém, presenteamos a pessoa com a nossa própria paz. Ela deixou ele entrar eu seu ambiente mais precioso, no lugar mais protegido e que a faz se sentir realmente feliz. É o amor em sua mais sincera forma.

9. Tua Caramassa

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Nada melhor do que as brincadeiras apaixonadas de um casal não é mesmo? A singularidade e o carinho que Tua Caramassa apresenta é tão singela que você se pega sorrindo de tão bobo que é o amor.

10. Me Tira Pra Dançar

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Em Me Tira Pra Dançar podemos ver a intimidade mais plena de um casal! Dançar desengonçado, brincar e sorrir com coisas simples não é algo que conseguimos fazer com todo mundo.

Se entregar ao ponto de parecer ridículo na frente do outro, sem esperar julgamentos ou desconforto é a verdadeira intimidade. O amor manifestado da forma mais simples possível em uma dança que não é romântica. Amém Tiago Iorc!

11. A Vida Nunca Cansa

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Com A Vida Nunca Cansa eu levei mais um murro no estômago. Com o decorrer dos outros vídeos você volta a pensar que o romance vai sim ter um final feliz. Até que, BAM, o clipe número 10 te dá uma rasteira.

Uma D.R está acontecendo, e nenhum dos dois está agressivo, ou culpando um ao outro. Eles estão, simplesmente, tristes. A sensação é de que ambos entendem que existe um problema que não podem resolver. E, olha ali atrás, o espelho novamente!

Pois é, lembra que ela o levou para o seu lugar de paz? É comum que, agora, quando estão encarando um problema, ela o leve para o lugar que a faz refletir, pensar, e que não é necessariamente nem bom nem ruim, mas é o racional. Em contra partida, quando se rata de amor, o racional pode sempre parecer um lugar meio escuro, onde tudo é levado em consideração. Mais uma vez, temos plena certeza de que a história é sobre nossa amada protagonista.

12. Bilhetes

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Ah, as despedidas! Bilhetes nos dá uma certeza: o relacionamento acabou depois daquela DR. Nem tudo é para sempre e, mesmo depois de muito sofrimento, é preciso fazer suas malas. Você pode guardar tudo, não precisa ter sentimentos ruins, mas vai doer recapitular os momentos e os “capítulos” de toda aquelas história.

É, sem dúvidas, uma das melhores músicas do álbum.

13. Sei13

E, finalmente, Sei é o capítulo final da história, ou o primeiro…

Depois de caminhar sozinha, levando na mala lembranças de tudo o que aconteceu, nossa personagem encerra (ou começa) sua história. Os olhos mais atentos vão perceber que uma das últimas cenas, quando ela está na praia, sozinha, encarando o mar (tudo o que vem pela frente), é justamente a fotografia que ela encara no clipe de Desconstrução e, novamente, no clipe Bilhetes.

Era para esse momento em que ela estava caminhando, se encontrar e se perder, se desconstruir para continuar se construindo. Foi uma forma genial para fechar um projeto tão lindo!

 

Direção_ TIAGO IORC Direção de Fotografia_ RAFAEL TRINDADE Roteiro_ MARÍA ELENA MORÁN, RAFAEL TRINDADE e TIAGO IORC Elenco_ MICHELE ALVES Assist. de Câmera_ ALVARO ESCOTO Assist. de Produção_ ISABELA BENINCASA Mont

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