Série alemã, Dark, cruza fronteiras e mobiliza telespectadores do mundo todo

A série alemã Dark, que estreou no serviço de stream da Netflix em dezembro de 2017, teve a segunda temporada liberada hoje (21/06). A informação foi dada junto à um teaser intenso e cheio de mistérios liberados à algumas semanas na página oficial da série.

O primeiro trailer da season 2 começa logo após os acontecimentos finais da primeira temporada. Confira:

O roteiro de Baran bo Odar e Jantje Friese narra a história de quatro famílias e diversos mistérios que vão sendo explorados ao longo da alternância de tempo entre os anos de 1986 e 2019. O jogo psicológico e a mudança entre as gerações costura a história de uma maneira muito peculiar e problemática.

Logo após sua estréia em 2017, a produção atingiu uma repercussão global, e se tornou rapidamente na série original estrangeira da Netflix com maior público.

De acordo com Greg Peters, chefe-executivo de produto da plataforma, Dark se tornou o conteúdo de língua “não-inglesa” mais assistido da Netflix.

Afirmou, ainda, que 90% do seu público vem de outros países, e não da Alemanha. Esse posto era ocupado, anteriormente, pela série brasileira 3%.

E, com um alcance tão grande e repercussão imediata na internet, diversos fãs e admiradores começaram a criar suas próprias teorias e apresentar manuais para que algumas pessoas entendessem alguns dos acontecimentos de Dark. Algumas teorias, assim como a série, atingiram uma escala global.

A razão da grande repercussão se dá, principalmente, pelo seu conteúdo complexo sobre teorias de “espaço tempo”. Assunto que, ainda entre os cientistas, é bastante debatido e cheio de dúvidas. A intensidade dos fóruns de discussão na internet sobre a série vem sendo observada por amantes do entretenimento e estudiosos. As únicas obras que haviam causado tantos debates e discussões científicas tão intensas, até então, eram De Volta para o Futuro e Interestelar.

Os criadores da série já informaram que Dark terá apenas 3 temporadas. Em seu Instagram, Baran bo Odar confirmou a informação:

“E é oficial! Estamos trabalhando na terceira temporada de Dark. É o ciclo final desta grande jornada. Nós sempre tivemos esse tempo em mente quando desenvolvemos Dark e estamos felizes em revelar que começaremos a filmar em quatro semanas, para entregar o último capítulo de Dark no ano que vem! Obrigada Netflix pela confiança! Obrigada aos fãs de todo o mundo, vocês são incríveis! Amamos vocês!”

Dark é uma das poucas produções alemã que cruza a fronteira de vários países e conquista fãs em todo o mundo. A Netflix é a grande responsável pelo alcance gigantesco que a obra vem tendo, porém a mobilização imediata de seus telespectadores é algo conquistado unica e exclusivamente por sua direção e roteiro.

Até 2017, quando Dark foi lançada, a produção mais conhecida produzida na Alemanha era do filme “A Onda” (Direção de Dennis Gansel), que narra a história de um professor que, ao dar aulas de história, trabalha de forma prática as formas de governos autocráticos. Porém, quando seus alunos desenvolvem um modelo de nação similar ao da Alemanha nazistas, os professores não sabem como lidar.

A importância de uma produção como Dark chegar à outros países, sem que ela trate diretamente de um capítulo tão obscuro da história da Alemanha, tem um enorme significado para o mundo do entretenimento. Isto porque mostra a força que a produção de conteúdos estrangeiros têm.

Em um mercado tão “americanizado”, onde as próprias plataformas de exibição são americanas e direcionadas, primeiramente, ao público americano, como a Amazon, a Netflix e a HBO, séries como Dark, 3% e Narcos fornecem produções com olhares diferentes e produções com estéticas diversas.

Novos talentos:

Após o grande sucesso da produção alemã, o mundo abriu os olhos para o ator Louis Hofmann (Jonas Kahnwald, protagonista de Dark) que já havia se destacado nos filmes Under sandet e Freistatt, que lhe rendeu o prêmio Deutscher Schauspielerpreis, que premia atores alemães.

Ele também protagonizou o filme “Center of My World” (2016), nele Louis interpreta o personagem Phil e faz par romântico com o ator também alemão Jannik Schümann (Nicholas). A trama, que se apresenta como leve nos primeiros momentos do filme, acaba quebrando as expectativas com o enredo tão pesado.

Com tantos trabalhos de ótima qualidade, Louis Hofmann se consagrou na alemanhã como um dos atores mais populares.

Comparações com outras produções:

Inicialmente Dark havia chamado a atenção dos críticos ao redor do planeta por estarem à classificando como “a nova e mais obscura Stranger Things”. E, de certa forma, esse era o risco que a produção estava fadada a correr. Em 2017, Stranger Things estava no seu ápice de popularidade, sendo classificada como a queridinha do serviço de streaming da Netflix (Foi uma das séries mais assistidas de 2016). Portanto, os olhos estavam virados para a produção americana quando Dark foi lançada.

E, em seus dois primeiros episódios, a produção alemã ainda está explorando os efeitos do desaparecimento de duas crianças, que somem de uma cidade pequena e pacata sem deixar rastros. Assim, as comparações foram imediatas.

Porém, em pouco tempo Dark conquistou seu próprio espaço e conseguiu, de forma diferente, o público que o assistia. Fóruns sobre a série se tornaram, rapidamente, muito movimentados já que as teorias e os estudos de física explorados na trama precisavam ser discutidos.

Jantje Friese, criadora e roteirista da trama, se diz grata pela possibilidade de levar uma história tão envolta em mistério para a gigante Netflix.

“A Netflix nos deu liberdade para pensar no quão sombria poderia ser a série, sobre que tipo de cenas poderíamos mostrar. Não conseguiríamos fazer do mesmo jeito na TV alemã”, avalia Friese.

Em seus primeiros segundos, Dark começa com uma citação de Albert Einstein (famoso pela sua Teoria da Relatividade e a noção de espaço-tempo). É desta forma que o roteiro nos apresenta qual será o tema chave da série, a viagem no tempo: “A diferença entre passado, presente e futuro é somente uma persistente ilusão”.

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